terça-feira, 30 de setembro de 2014

Defesa e Gestão Estratégica Internacional recebe nota máxima do MEC

ASSESSORIA DE IMPRENSA - GABINETE DO REITOR
assessoria@reitoria.ufrj.br

Por Diane Dias 

O curso de Defesa e Gestão Estratégica Internacional (DGEI) da UFRJ obteve a nota máxima na visita in loco de reconhecimento do curso realizada pelo Ministério da Educação e Cultura. O relatório contendo a avaliação foi divulgado no portal do e-MEC no dia 18 de setembro. Desde 2010, quando iniciou, duas turmas já concluíram a graduação. Esta foi a primeira vez em que o curso foi avaliado pelo MEC e lhe foi atribuída a nota 5 como resultado final.

Segundo a coordenadora de ensino do bacharelado em DGEI, Maria Isabel Sampaio dos Santos, a nota máxima galgada pelo curso é resultado da união de diversos fatores: “O apoio institucional, o empenho dos professores, funcionários e em especial dos estudantes que ajudaram a manter viva a chama do DGEI. Cada um, ao seu modo, foi importante para alcançarmos esse resultado. A presença maciça na reunião com a comissão demonstrou o compromisso e o envolvimento dos corpos discente e docente com o projeto DGEI”.

Apesar da excelente avaliação, o trabalho da equipe deve continuar a fim de manter a qualidade do curso. Em visita realizada nos dias 11 e 12 de setembro, a comissão avaliadora, composta pelos professores Karl Henkel (Universidade Federal do Pará) e Marrielle Maia (Universidade Federal de Uberlândia), considerou três dimensões: organização didático-pedagógica, corpo docente e infraestrutura do curso.

De acordo com a coordenadora, ao final de cada ano do ciclo avaliativo do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), há novas avaliações realizadas pelo MEC para a renovação de reconhecimento junto à secretaria competente. “A cada três anos seremos submetidos novamente à avaliação in loco. O relatório final dessa primeira avaliação aponta para a responsabilidade de manter os pontos positivos e melhorarmos na questão ‘bibliografia básica e complementar’, inserida nos conteúdos programáticos das disciplinas, em que não fomos tão bem avaliados", disse Isabel Sampaio.

A proposta do DGEI é formar profissionais capazes de analisar cenários nacionais, regionais e globais, e seus possíveis desdobramentos nas áreas de defesa, segurança e estratégia. O concluinte do curso é capaz de ingressar no mercado de trabalho apto a formular, coordenar e liderar processos organizacionais e institucionais na área governamental, no setor privado e no terceiro setor.

Fonte: UFRJ

terça-feira, 23 de setembro de 2014

“Todo o comércio de armas entre países é política per si”

 
 
O grande teórico inglês do meio militar, Liddell Hart, definiu estratégia como sendo a arte de distribuir e de se aplicar os meios para cumprir objetivos da política. “De forma geral, estratégia é aquela que articula meios de formas de se utilizar recursos para se atingir objetivos postos”, completou Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco e ex-assessor do Ministério da Defesa. Ele participou do fórum Brasilianas.org sobre a indústria da defesa e a Estratégia Nacional da Defesa (END), criada por decreto em 2008, realizado em São Paulo. 
 
Segundo Rudzit, é a primeira vez na história do país, como estado independente, que uma política para exercer controle civil sobre setores militares é constituída. “A Estratégia Nacional da Defesa faz parte desse processo de evolução, inclusive do Ministério da Defesa como planejador central e efetivo. Não é um produto final, ainda estamos atrasados em muitos anos, em comparação a outros países”, analisou. 
 
A END veio acompanhada de um aumento de investimentos na área de defesa, nunca vistos antes em território nacional. De 2003 até 2012 os investimentos neste nicho aumentaram 568% no país, passando de R$ 1,5 bilhão para R$ 10,1 bilhões. Dentre os projetos em andamento estão o programa de submarinos (Prosub), helicópteros desenvolvidos pela Helibrás (HXBR), os aviões de grande porte da Embraer KC 390, o Astros 2020, sistema de lançadores múltiplos de foguetes, da Avibrás e o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON). 
 
O professor Rudzit destacou que todo o comércio do meio militar é política per si, não se comparando a compra de soja ou de qualquer outro tipo de produto onde a troca de parceiros ocorre facilmente. Não à toa, o Brasil demorou 12 anos para escolher o caça sueco Gripen NG, durante o processo de licitação do projeto FX-2, em detrimento dos modelos ofertados pela França e Estados Unidos. 
 
Rudzit apontou fatores positivos e negativos que envolvem a troca comercial de equipamentos militares entre países. Dentre os benefícios mais claros para o país comprador está o aumento da capacidade armamentista de suas forças armadas e a aquisição de equipamentos de última geração (ou próximo disso), cortando um caminho que seria mais longo para o desenvolvimento próprio de equipamentos de defesa. 
 
Por outro lado, a compra deve também considerar impactos negativos, como a dependência tecnológica do país fornecedor, portanto a perda de flexibilidade política e técnica para aceitar certas condições de manutenção e reposição de peças. No caso brasileiro, tem se observado uma política que busca internalizar o desenvolvimento de produtos em território local, como no caso do contrato feito com a França para a construção de submarinos à propulsão nuclear e dos próprios caças Gripen, com a Suécia.
 
“Nem os Estados Unidos [principal potência bélica do mundo] produz tudo que utiliza em termos militares. Achar que vamos conseguir produzir no país tudo o que necessitamos não é um sonho realizável”, ponderou. Mas o professor se atentou para a importância de se balancear custo, interesses militares e diplomáticos entre outras necessidades da sociedade brasileira quando o governo entra no processo de negociação de compra de produtos estrangeiros. 
 
Em relação aos acordos que primam pelo ganho tecnológico às indústrias brasileiras, Ridzit ressalta a importância de monitoramentos efetivos por parte do governo para que os quesitos de transferência tecnológica sejam garantidos. “Não acredito em total transferência tecnológica quando o governo fecha acordo com um produto produzido em outro país. Uma empresa que gasta alguns bilhões de dólares e euros para desenvolver um avião transferirá realmente tudo?”, questionou. 
 
O professor criticou também a falta do termo ‘segurança’ na Constituição Federal, substituído por ‘defesa’, durante a criação da Carta Magna, em 1988. A END está baseada na Constituição Federal com premissas de buscar, sempre que possível, soluções pacíficas e o fortalecimento da paz e segurança internacionais. 
 
“O Brasil não possui tantas ameaças visíveis externas como a Índia, China, Coreia do Sul, Japão e tantos outros. Logo fica difícil justificar porque gastar tanto na área militar, em um país com tantas desigualdades e problemas sociais”, lembrou. Mas o fato é que o aumento da relevância social e econômica do Brasil no cenário mundial lhe obrigou a aumentar os investimentos no setor nos últimos anos. 
 
Hoje o país é a sétima maior economia do mundo, com quase 17 mil km de fronteiras entre dez países na América do Sul, uma linha costeira contínua de 8 mil km de extensão, uma das maiores do mundo, além de possuir grandes quantidades de riquezas minerais e biológicas. 
 
"Ao se analisar a END não há uma ou mais ameaças, se fala de ameaças difusas. Se da muita evidência à Amazônia, à Amazônia Azul. Mas, por exemplo, como defender a região Sudeste que, afinal de contas, é o grande centro econômico do país? Você paralisou o Sudeste, paralisou o restante. Qualquer país que tenha capacidade de transportar um bloco ofensivo até o Brasil, não vai tentar desembarcar na Amazônia", observou. 
 
Por fim o professor destacou que o orçamento militar atual brasileiro não é pequeno. Hoje o país mobiliza cerca de 1,4% do seu PIB em gastos militares. O problema é como esses recursos são divididos. Grande parte do orçamento (mais de 76%) é destinado ao pagamento de pessoal, sendo cerca de 61% dessas despesas com inativos e pensionistas.
 
Fonte: Jornalggn