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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Drones, balões de vigilância...como é a rotina dos empreendedores que apostam na defesa nacional

A criação de tecnologias de ponta e suas possíveis rentáveis aplicações civis atraem empresários para a área militar nacional

RENATO JAKITAS, ESTADÃO PME

Pedro Ivo Prates/Estadão
Pedro Ivo Prates/Estadão
Nei Brasil faz drones militares com os olhos no uso futuro dessa inovação
Esses empresários trabalham duro, estudam pesado muito tempo após concluírem a pós-graduação e se submetem a duros processos de certificação industrial. Mesmo assim, ganham pouco dinheiro e até se acostumam com a rotina de dias, meses, até semestres sem fechar um contrato. Essa é a realidade atual das empresas e empreendedores que atuam na cadeia da defesa nacional.
Elas são especialistas em nichos sofisticados de conhecimento, quase sempre engenheiros com Ph.D. e que, dedicados ao desenvolvimento de armas, instrumentos de vigilância ou insumos militares, vivem uma vida quase espartana, pensando as finanças de projeto em projeto, à merce dos programas governamentais e de licitações encampadas na esfera federal de comando.
“Você me pergunta como é que se sobrevive em um ambiente como esse, e na verdade não se sobrevive. Tu tens de se organizar por projeto e proteger a empresa contra esses ciclos às vezes até sem nenhuma demanda”, afirma Nei Brasil, engenheiro formado pela PUC-RS, com mestrado pelo ITA e que ganha a vida desenvolvendo drones.
Drones são aqueles aviões que dispensam a necessidade de pilotos e que, aqui no Brasil, também ficaram conhecidos como veículos aéreos não tripulados (Vants).
Nei Brasil montou com o sócio uma empresa em 2005 assim que ambos terminaram suas pós-graduações. Instalados em São José dos Campos, tinham o sonho de desenvolver um piloto automático para aeronaves. Mas calhou que a primeira empreitada em que se envolveram foi para preparar os sistemas de navegação de um drone em processo de desenvolvimento pela Aeronáutica.
Fisgaram R$ 7,2 milhões de um bolo total de R$ 36 milhões, abocanhado em 80% pela Avibrás, uma gigante da área. Eles nunca mais saíram do ramo.
“O contrato teve vigência de 2006 a 20013 para desenvolvermos os sistemas de pouso e de decolagem automáticos do drone. Acabou que nos especializamos no assunto e, hoje, a gente trabalha apenas para a força (armada)”, afirma o empresário.
O tom de Nei Brasil não é de lamento, ao contrário. O engenheiro sabia com o que iria se envolver quando apostou suas fichas no setor, famoso por ciclos lentos de produção e muito sensível com as trocas de comando no Palácio do Planalto. A boa característica do setor, para os empresários, é que no Brasil sabe-se que um determinado nível de tecnologia, por ser de ponta, tem o acesso facilitado dentro do âmbito militar.
“A aplicação civil dos drones ainda não é uma realidade. Tecnicamente, sim. Mas o mercado ainda não está preparado para isso de maneira sólida. Acabamos focando nessa área de defesa e acreditamos que, com o tempo, vamos obter maturidade suficiente para explorar outros mercados”, acrescenta.
Iniciativa privada. Já Leonardo Nogueira, que usa balões e dirigíveis em soluções de vigilância e telecomunicações, tem uma realidade mais radical. Ele não faturou um único centavo com a venda de seus produtos, apenas com projetos de desenvolvimento e pesquisa. Formado pelo ITA, com especialização na Alemanha, ele administra com o sócio a Altave, empresa que tem projetos em fase de concorrência na Marinha e no Exército.
Se aprovada, uma dessas licitações pode render aproximadamente R$ 200 milhões em um prazo de 20 anos. “A gente tem um pensamento muito claro, que é aproveitar o conhecimento adquirido dentro da área da defesa para expandir nossa atuação para a finalidade civil”, destaca. “Nosso produto é muito dual. A gente consegue migrar rapidamente sua aplicação para a iniciativa privada”, explica.
“O mercado civil é sempre uma oportunidade”, reforça Valérie Redron, diretora-executiva da Optovac, empresa brasileira de soluções de defesa recentemente adquirida pela francesa Safran. “Temos um projeto aprovado pelo governo para um sistema portátil de processamento de imagem em tempo real para pessoas com deficiências visuais. É o tipo de aplicação dual importante”, afirma. 
:: Defesa tem algumas peculiaridades ::
Formação: O setor de defesa demanda de seus profissionais uma sólida formação técnica. A maioria dos empresários tem título de mestre e doutor.
Paciência: Geralmente, um projeto é encomendado para entrar em operação daqui a duas décadas. É preciso capital e paciência para encarar ciclos longos.
Pesquisa: As agências de fomento literalmente gostam dos empresários da área. Por isso, uma saída para sobreviver é dedicar parte do tempo às pesquisas.
Plano B: Pensar em produtos com aplicação militar e também civil é a estratégia de parte dos especialistas na área, sempre de olho em outros mercados.
Exportação: Se o setor é restrito entre potências militares, os brasileiros encontram oportunidades entre as forças armadas vizinhas.

Fonte: Estadao

terça-feira, 17 de julho de 2012

UFRJ inicia expansão de incubadora de negócios


Ao custo de R$ 2,5 milhões, esse é o terceiro prédio da incubadora de empresas da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da universidade (Coppe/UFRJ). O projeto contou com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e doação de mais R$ 1 milhão pela OGX, empresa de óleo e gás natural do empresário Eike Batista.



Autor(es): Por Guilherme Serodio |
Valor Econômico - 08/06/2012
 
Ronaldo Nóbrega, sócio-diretor da Pam-Membranas: falta de área disponível para produção industrial ao iniciar projeto

Na próxima semana um pequeno prédio começa a ser construído na Ilha do Fundão. Menos luxuoso que seus vizinhos do parque tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o edifício de 1,5 mil metros quadrados vai abrigar até nove empresas em sete salas.
Ao custo de R$ 2,5 milhões, esse é o terceiro prédio da incubadora de empresas da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da universidade (Coppe/UFRJ). O projeto contou com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e doação de mais R$ 1 milhão pela OGX, empresa de óleo e gás natural do empresário Eike Batista.
Atualmente, as 18 empresas residentes na incubadora ocupam 21 salas em uma área total de 1,9 mil metros quadrados. A área é considerada pequena, ao contrário dos números que produz.
Em 2011, as empresas residentes e outras 45 graduadas [que nasceram na incubadora, mas se tornaram independentes] faturaram R$ 182 milhões, 13% acima do valor registrado em 2010. Juntas, as 63 unidades geram mais de mil postos de trabalho.
A ligação com a universidade é umbilical. Desde a criação da incubadora, há 14 anos, cerca de 95% das empresas ali abrigadas foram criadas por ex-alunos ou pesquisadores da UFRJ. O professor aposentado Ronaldo Nóbrega não é exceção. Em 2004, com outros quatro pesquisadores, ele deixou um laboratório da universidade para desenvolver membranas de microfiltração.
"Quando chegamos, enfrentamos o problema da falta de área disponível para produção industrial", contou Nóbrega. Para iniciar a produção, seu grupo ocupou uma caldeira desativada. Graduada em 2009, a Pam-Membranas instalou-se no Parque Tecnológico do Fundão. Hoje, a empresa produz membranas de diferentes aplicações para clientes como a Petrobras e a DuPont. Em 2011, a companhia faturou R$ 2,5 milhões.
Em busca de mais espaço será projetado um novo prédio, cujas instalações poderão abrigar empresas de perfil industrial. O foco é a área de óleo e gás, a vocação do parque tecnológico.
A instalação de empresas graduadas no local é cada vez mais comum. Só no ano passado, quatro delas foram abrigadas no local.
"Estar na cidade universitária é uma vitrine para essas empresas", disse Lucimar Dantas, gerente de operações da incubadora. "Não temos dinheiro, mas temos muitos contatos e recebemos muitas visitas de fundos de investimento." Para Nóbrega, da Pam-Membranas, a incubadora traz visibilidade.
O desafio da iniciativa é transformar cientistas em empresários. "O perfil desse empreendedor é alguém que entende tudo de tecnologia, mas pouco de negócios. O nosso trabalho é ajudar nessa passagem, desenvolver o perfil do executivo. As capacitações que oferecemos são ligadas a esses temas", explicou Lucimar.
As empresas têm acesso a serviços que vão de assessoria em marketing, finanças, comunicação e jurídica até aulas de idiomas, além do acompanhamento da equipe da incubadora.
"Só uma boa ideia e o "background" acadêmico não são suficientes para entrar no mercado", disse o sócio da OilFinder, Manlio Mano, ele mesmo um doutor formado na Coppe. Com um projeto inovador de prospecção de petróleo no mar a partir de exuldações - vazamentos espontâneos dos reservatórios -, a OilFinder promete reduzir em até 75 vezes a área investigada na prospecção de poços de petróleo. "Podemos abrir um escritório no centro para ficar perto dos clientes, mas o objetivo é seguir para o parque tecnológico para ficarmos próximos da inovação", disse Mano.
Com o novo prédio, a incubadora poderá abrigar até 30 empresas simultaneamente. Para chegar mais perto desse número, foi publicado um edital, que ficará aberto até o dia 18, para seleção de quatro empresas. Os projetos aprovados têm prazo de 60 dias para que sejam constituídas as respectivas empresas.
Para aumentar o acesso das empresas graduadas ao parque, a UFRJ pretende construir um prédio capaz de abrigar até cem pequenas empresas. Chamado de Torre da Inovação, o projeto passa por estudos de viabilidade e pode sair do papel em 2013.

Fonte: Valor