quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O presente e o futuro das nossas políticas Externa, de Defesa e de Inteligência foram temas de Seminário na CREDN

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Brasília - O presente e o futuro das nossas políticas Externa, de Defesa e de Inteligência foram temas do Seminário "O Brasil no Mundo: deveres e responsabilidades", promovido pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) em parceria com o Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa, a Fundação Konrad Adenauer, a União Europeia e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), em 2 de dezembro.
Foto: Antônio Augusto (CD)
O presente e o futuro das nossas políticas Externa, de Defesa e de Inteligência foram temas de Seminário na CREDN
CREDN reuniu alguns dos mais renomados especialistas para discutir as prioridades para o Brasil nas três áreas
O evento reuniu alguns dos mais renomados especialistas nas três áreas e foi inaugurado com uma aula magna do professor Fernando Reinares, investigador principal de Terrorismo Internacional do Real Instituto Elcano de Madri. Reinares chamou a atenção para as transformações do terrorismo e alertou para o fato de que o Brasil não está distante deste fenômeno.
Segundo ele, "na medida em que o Brasil ocupa e desempenha um papel mais relevante na esfera internacional, esta realidade deve ser percebida como alto menos distante e mais próxima". Além disso, afirmou que Al Qaeda e Estado Islâmico, hoje com cerca de 30 mil militantes, deverão disputar poder e influência junto aos islamistas em breve.
Reinares também manifestou preocupação com a propagação da Yihad no Brasil por meio de associações mulçumanas. "No Brasil, estão definindo Yihad como combate e violência e isso é negar o que verdadeiramente ela significa, um esforço pessoal por viver de acordo com as regras do Islã".

Política Externa
Em relação à Política Externa Brasileira, os especialistas convidados foram unânimes em afirmar que a mesma fraquejou nos últimos anos por falta de planejamento e de coerência, criando uma espécie de "zona cinza", caraterizada basicamente por incertezas.
Para o sociólogo e diretor de Inteligência e Estratégia da Arko Advice, Thiago de Aragão, a postura e o papel do Brasil no mundo não estão muito claros atualmente. "O planejamento e a coerência é o que hoje não está muito claro aos olhos dos estudiosos e da comunidade internacional em relação à postura do Brasil. Uma política externa centralizada no Itamaraty ou na Presidência, tem que ter coerência e planejamento, tendo em vista que a politica externa é uma política de Estado e não de governo ou de partido", afirmou.
Já o professor de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília, Creomar de Souza, criticou a dificuldade do Brasil em definir qual é o real interesse nacional em termos de política externa. "De maneira geral, a gente pode dizer que há uma relativização de pontos fundamentais que marcam a trajetória brasileira no sistema internacional. É como se nós tivéssemos criado algumas zonas cinza dizendo: isso vale para A, mas não vale para B, que é meu amigo."
Para o cientista político e coordenador de Estudos e Debates do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) Leonardo Paz, a inserção brasileira nas cadeias globais de comércio e nos grandes acordos internacionais deve estar no topo da agenda do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.
O professor de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel, lamentou a passividade da Política Externa Brasileira e explicou que uma Política Externa ativa deve ser parte de um projeto nacional.
"Precisamos de um presidente que esteja disposto a arriscar capital político e um chanceler com autonomia, e precisamos estar na Coreia do Norte para poder opinar sobre o que condenamos de tudo aquilo que lá acontece, assim como deveríamos ter uma embaixada no Afeganistão, pois é lá que se define como lidar com estados falidos. Sem isso, não temos legitimidade para postular um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU", advertiu.

Defesa Nacional
Em relação à Defesa Nacional, os painelistas reconheceram avanços no setor, mas cobraram maior poder civil na Defesa.
Para Alexandre Fuccille, professor de Relações Internacionais na Universidade Estadual Paulista e presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED), há um déficit em relação à administração civil da defesa nacional. "Não estamos falando de uma política de defesa nacional, mas de uma política para a defesa nacional. Coronéis da reserva não são civis. Precisamos instituir a carreira típica de Estado de analista de defesa".
Gunther Rudzit, coordenador e professor do curso de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco e consultor em defesa, cobrou uma reestruturação da estrutura militar com o efetivo controle civil sobre os meios de defesa. Na sua avaliação, os militares já aceitaram o seu papel, mas os civis ainda precisam deixar claro o que querem.
Por outro lado, criticou a edição do decreto 4.735 de 2003, que trata das secretarias de Política, Estratégia e Relações Internacionais e de Logística e Mobilização Nacional, ambas do ministério da Defesa, que só podem ser ocupadas por oficiais da ativa e no último posto. "Esta medida torna impossível o controle civil sobre os militares. Há civis em número suficiente para ocupar esses postos e definir políticas para o setor. Hoje, são os militares que estão elaborando as políticas", afirmou.
Já o diretor do Centro de Tecnologia, Relações Internacionais e Segurança (CeTRIS), Salvador Raza, lamentou que os temas de Defesa e Segurança tenham ficado de fora das campanhas eleitorais recentes e explicou que o Brasil precisa conceber uma profunda reforma institucional e organizacional do ministério da Defesa.
Integrante do grupo que trabalhou na criação do MD, Raza também contestou os dogmatismos ainda presentes na relação entre civis e militares, sobretudo no que se refere aos cargos na defesa. "O que precisamos é de gente inteligente, não importa se civil ou militar. Tem que ter uma gestão de competência. Não podemos permitir que o MD se transforme num cabide de empregos para coronéis reformados", destacou.
No entanto, o professor Antônio Jorge Ramalho, diretor do Instituto Pandiá Calógeras (IPC), think thank vinculado ao ministério da Defesa, enfatizou o esforço que tem sido feito para o aperfeiçoamento do diálogo do setor Defesa com a sociedade civil.
Segundo ele, "estamos passando por um processo de evolução do setor nacional de Defesa, que envolve esse diálogo com a Academia, com o próprio Congresso Nacional e com a mídia, para levar a uma criação de cultura de defesa", explicou.
Antonio Jorge rebateu as críticas de que o Brasil não contaria com uma estratégia que pensasse em metas para o futuro, ao destacar que a Estratégia e a Política Nacional de Defesa estabeleceram mudanças estruturais e definem de forma clara os rumos do setor para os próximos 30 anos.
Ele lembrou ainda que em 2016, o Livro Branco de Defesa passará por uma reformulação, já que a lei que sustenta o documento prevê uma revisão a cada quatro anos e que desta discussão, deverão participar todos os setores, incluindo o Congresso.

Inteligência
Os conferencistas convidados para a mesa "Inteligência: política de Estado, assuntos estratégicos e interesse nacional", foram taxativos ao afirmarem que o Brasil precisa investir na atividade de Inteligência com forte controle por meio do Legislativo.
Na opinião do General Maynard Marques de Santa Rosa, ex-chefe da Divisão de Contra-Inteligência do Centro de Inteligência do Exército e ex-Secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do ministério da Defesa, "a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) significa um avanço institucional do país e confere legitimidade à Inteligência. No entanto, um dos problemas que temos é a falta de um conceito de Segurança Nacional que torne explícitas as formas de ameaças ao país. Isso dificulta a orientação do esforço de busca de informação de Inteligência".
Santa Rosa assinalou ainda que a inaptidão cultural dos clientes principais ao uso desta importante ferramenta de apoio às decisões agrava a situação. "Em geral, não sabem o que querem ou não confiam nos órgãos institucionais e deixam de estabelecer as próprias necessidades". Ele acredita que parte deste problema guarda relação com a transição feita de forma precipitada entre o antigo Serviço Nacional de Inteligência (SNI) e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), deixando sequelas ainda não superadas.
"Leva-se uma geração para construir confiança no Sistema e cinco minutos para destruí-la. Por isso, Inteligência de Estado deve ser preservada de influências políticas e sindicais", defendeu.
Já André Woloszyn, ex-Analista de Assuntos Estratégicos, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) e diplomado em Inteligência Estratégica pela Escola Superior de Guerra (ESG), acredita que "enquanto não tivermos um objetivo de Estado claro tanto a nível interno quanto a nível externo, não poderemos responder sobre qual Inteligência é a ideal para o Brasil".
Segundo ele, "Inteligência não é mais apenas espionagem e monitoramento. O tipo de Inteligência que queremos depende diretamente do tipo de país que queremos e do tipo de projeção que buscamos", concluiu.
"Quando as denúncias de Edward Snowden explodiram na imprensa brasileira, todos ficaram chocados, menos a comunidade de Inteligência, que conhece as vulnerabilidades", explicou Marcus Reis, advogado especialista em contraterrorismo e contrainsurgência, combate ao crime organizado transnacional, bem como em governança global e segurança mundial.
Reis disse ainda que as principais conclusões da CPI da Espionagem que funcionou no Senado entre 10 de julho de 2013 e 9 de abril deste ano, foram a condenação às medidas de espionagem de outras nações contra o Brasil e a necessidade de se criar a Agência Brasileira de Inteligência de Sinais. No entanto, ao que parece, o choque inicial deu lugar à inércia.
"Estado que ficar sem Inteligência de sinais, com todas as tecnologias necessárias, incluindo a interceptação telefônica, vai ficar para trás. Além disso, a Inteligência humana precisa ser fortalecida, afinal de contas, entender como funcionam as relações interpessoais é poder. Poder para influenciar os outros, para entendê-los e os seus objetivos", advertiu.
O Consultor Legislativo Joanisval Brito Gonçalves, doutor em Relações Internacionais e especialista em Inteligência (ESINT/ABIN), vai além. Na sua avaliação, "a nossa Inteligência está completamente abandonada. No Brasil não há preocupação significativa das autoridades e da sociedade e esta pouca atenção se deve, em parte, ao desconhecimento, preconceito e até má-fé em relação aos profissionais de Inteligência".
Ele lamenta que no Brasil, falte cultura de planejamento, de segurança e defesa e de Inteligência. "A Inteligência é fundamental para apoiar e assessorar o processo decisório, além de proteger o conhecimento sensível. Enquanto não planejarmos, estaremos vulneráveis a tudo", alertou.

Democracia
Todos foram unânimes em afirmar que Inteligência e Democracia são compatíveis. É assim em todas as grandes democracias com os seus serviços de Inteligência. "É claro que há regimes autoritários que também os têm e Inteligência, boa ou ruim, é um instrumento de poder. O que difere uma da outra é o controle. A atividade de Inteligência precisa ser controlada, interna e externamente", afirmou Gonçalves.
Por fim, defendeu que o órgão central da Inteligência tenha acesso direto à presidente e que haja maior coordenação e cooperação entre os órgãos do SISBIN. "Do contrário, estaremos sempre à mercê de quem sabe fazer Inteligência de verdade", concluiu.



Assessoria de Comunicação
Jornalista Responsável: Marcelo Rech
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Quem deve controlar o Ministério da Defesa?

Qual deve ser o papel de civis e militares no  Ministério da Defesa?
Eduardo Siqueira Brick
Universidade Federal Fluminenses


Durante o seminário "O Brasil no Mundo: Deveres e Responsabilidades" realizado no dia 02/12/14 e promovido em conjunto pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, pelo Instituto InfoRel e pela Fundação Konrad Adenauer, duas intervenções chamaram a atenção e uma delas causou alguma polêmica.

O presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED), Alexandre Fucsile, declarou que "uma elite civil deveria controlar o Ministério da Defesa".

Essa afirmação provocou uma resposta indignada do General Maynard (Militarizar o Ministério da Defesa?) que se ateve a uma discussão sobre a questão da proeminência entre civis versus militares, no que se refere à defesa.

De certa forma pode-se dizer que ambos (Fucsile e o Genaral Maynard) estão certos e errados ao mesmo tempo.

Certos quando se referem à importância que civis e militares têm para a defesa.

Errados quando discutem a questão sem definir o seu contexto, que depende do papel que o Ministério da Defesa deve desempenhar e, a partir dessa definição, qual o papel de civis e militares nesse contexto.

A general Maynard apresentou sua defesa da importância do papel dos militares no Ministério da Defesa, mas o presidente da ABED não explicou o que ele entende como elite, qual deve ser o seu papel na defesa (o que significa controlar o MD?), nem qual o tipo de formação e/ou qualificação que essa "elite" tem que ter para se habilitar a exercer qualquer papel na defesa.

Como associado da ABED, e docente de dois programas de pós-graduação com linhas de pesquisa sobre defesa (um na Engenharia de Produção e outro na Ciência Política), eu mesmo tenho questionado o tipo de formação que vem sendo dada aos jovens que se interessam por defesa e solicitei ao atual Presidente da ABED, na mesma semana de sua posse, que esse assunto fosse discutido no âmbito da Associação. Infelizmente, apesar da promessa,  até hoje essa discussão não ocorreu e, portanto, tenho que considerar que o Presidente da ABED falou apenas em seu nome pessoal e não no nome dos associados  como um todo, pois não existe consenso na ABED sobre qual deve ser o papel de civis em assuntos de defesa, até porque esse asssunto nunca foi discutido seriamente no âmbito da Associação.

A outra manifestação, que aparentemente passou desapercebida, foi a de Salvador Raza, pesquisador conhecido sobre assuntos de defesa, ex-oficial da Marinha e Doutor em Engenharia de Produção, pela UFRJ, em programa voltado para estudos de defesa. Sua tese de doutorado, sobre projeto de força, pode ser encontrada na Biblioteca do Portal do UFFDEFESA para quem desejar consultar. Trata-se, portanto, de alguém qualificado para tratar dos aspectos substantivos da defesa a saber, Logística de Defesa e Projeto de Força.
A manifestação de Raza consta de matéria produzida por Leandro Cipriano para o Portal da Agência Gestão CT&I e é reproduzida abaixo (Grifos meus).

"Tecnologia de gestão é um dos maiores problemas da Defesa brasileira
News - Latest
TER, 02 DE DEZEMBRO DE 2014 19:14 ESCRITO POR LEANDRO CIPRIANO
Apesar de deter mecanismos inovadores capazes de cumprir a função de defender o território nacional, as Forças Armadas enfrentam atualmente um sério problema: a tecnologia de gestão. Hoje, o País não consegue controlar de forma eficiente desde a análise de contratos até o custo benefício de seus equipamentos. A situação foi apontada por especialistas como prejudicial aos cofres públicos, uma vez que torna os processos mais lentos e caros.

"Por incrível que possa parecer, o problema mais sério é a capacidade de se fazer uma gestão de sistemas mais complexos. O Estado perde, porque compra mal e mais caro", afirmou Salvador Raza, diretor do Centro de Tecnologia, Relações Internacionais e Segurança (CeTRIS), durante um seminário realizado nesta terça-feira (2) na Câmara dos Deputados.

De acordo com Raza, vários países já trabalham com sistemas integrados de gestão de alto nível. Contudo, no Brasil, são utilizados modelos herdados dos Estados Unidos dos anos 1960. "Estamos atrasados 50 anos. Administrar caças, submarinos e satélites com um sistema de gestão desse é altamente ineficiente. Agora, mudar isso não se faz por decreto, se faz com um processo lento. É mudar a própria lógica de formação do ministério, para que possa executar projetos mais sofisticados".
Outro ponto que dificulta qualquer renovação tecnológica na Defesa, na avaliação do diretor, é a própria desunião entre as três corporações: Exército, Marinha e Aeronática. "Fica tudo mais difícil quando as Forças Armadas não apresentam uma sinergia e integração necessária dentro de um modelo de concepção estratégica" apontou.

Salvador Raza apresentou suas observações no seminário "O Brasil no mundo: deveres e responsabilidades", para debater as reais condições das Forças Armadas de se modernizar, e com isso, reduzir as fragilidades na Defesa do País.

(Leandro Cipriano, da Agência Gestão CT&I)"
E o que diz Raza?

Em resumo, que o rei está nu.

A Logística de Defesa, exige instituições adequadas (ainda não existentes no Brasil) e um corpo de profissionais altamente qualificados para exercer essas funções.

E qual o tipo de qualificação necessária a esses profissionais?
Uma pista nos é dada por uma frase atribuida ao general americano Bradley que diz que "estratégia e assunto de amadores e logística de profissionais". Evidentemente essa frase não deve ser tomada ao pé da letra, pois não visa a desmerecer a importância de estrategistas. Ela apenas nos lembra que estratégia não se aprende em escolas, exige experiência e formação diversificada e interdisciplinar e, mais do que isso, é um dom pessoal. 

Ao contrário, "provimento de meios para compor as Forças Armadas e sustentar suas operações em quaisquer situações em que elas tenham que ser empregadas", que é a definição de Logística de Defesa, exige o concurso de profissionais altamente qualificados (em termos de formação e experiência).

Para constatar isso basta olhar para a realidade dos países que possuem Forças Armadas e Base Logística de Defesa fortes. A Acquisition Work Force (AWF) nos EUA conta com mais de 150.000 profissionais para exercer essas funções (mais de 90% deles são civis, com formação principalmente nas engenharias e profissões de gestão). Na França são mais de 10.000, concentrados na DGA, um órgão do MD independente das Forças Armadas e no Reino Unido perto de 20.000, com o mesmo tipo de formação.

Esse asunto foi abordado em outro artigo disponível neste portal: A Quarta Força, uma decorrência da END? 
E qual é a formação que se está dando hoje no Brasil para formar os  civis que pretensamente irão "controlar" o MD no futuro?

Resposta: Ciência Política e Relações Internacionais. Ou seja, nada que se pareça com a prática internacional e com as principais necessidades da defesa, como muito bem ressaltado por Raza.

Recente edital Almte. Alvaro Alberto, promovido conjuntamente pelo MD e pelo CNPq (Chamada CNPq/Pandiá – Programa Álvaro Alberto de Indução à Pesquisa em Segurança Internacional e Defesa Nacional N º 29/2014), para incentivar os estudos de defesa, limitou o acesso ao financiamento disponível a programas de pós-graduação das áreas de ciências humanas e sociais aplicadas.

Muito adequadamente a Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO), que congrega engenheiros que têm formação e experiência justamente naquilo que o MD mais necessita (gestão de sistemas complexos) apresentou uma impugnação muito bem fundamentada para que o edital também fosse aberto à Engenharia de Produção e que deve ser lida por todos os que se interessam por um debate mais profundo sobre essa questão. A resposta do CNPq foi evasiva, afirmando apenas que as áreas contempladas também tratam de gestão, o que é meia verdade e não toca no que é fundamental, que é o reconhecimento do papel central que os engenheiros têm na gestão da aquisição e no desenvolvimento de sistemas complexos de defesa. No mínimo as condições do edital geraram dúvidas nos possíveis proponentes o que resultou na impugnação feita pela ABEPRO.

Outro problema mencionado por Raza é o institucional. Ele apontou corretamente que as Forças Armadas atuam isoladamente em relação à Logística de Defesa, mas não mencionou que outros ministérios civis, também têm ingerância muito forte sobre esse assunto (MDIC, MCTI e até o MRE).

Ou seja, não existe um responsável único pela Logística de Defesa e isso é um sério problema institucional, pois existem muitas "autoridades", mas ninguém com responsabilidade e imputabilidade pelo resultado final (prover os meios para as Forças e sustentar e desenvolver a Base Logística de Defesa).

A criação da Comissão Mista da Industria de Defesa (CMID) apenas ameniza mas não resolve esse problema que também é de gestão.

Tal estrutura é completamente disfuncional e insustentável em face dos desafios colocados pela END.
Temos ai um nó górdio que deverá ser cortado já que, por definição, esse tipo de nó não pode ser desatado...

Fonte: UFF DEFESA